terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Controvérsia - Reestrutura Escolar

“O educador, a serviço da libertação do homem, dirigiu-se sempre às massas mais oprimidas, acreditou em sua liberdade, em seu poder de criação e de crítica. Os políticos só se interessavam por estas massas na medida em que elas pudessem, de alguma forma, tornar-se manipuláveis dentro do jogo eleitoral” - (WEFFORT, Francisco in Paulo Freire, Educação como Prática de Liberdade.)


Este trabalho tem como objetivo apresentar a controvérsia sobre os acontecimentos recentes no Estado de São Paulo em relação a proposta de reestruturação da educação e o fechamento de escolas para o ano de 2016 apresentada pela Secretaria Estadual da Educação. O projeto propõe a realocação dos estudantes em escolas que ofereçam apenas o seu ciclo escolar, sendo ele Ensino Fundamental I (1° ao 5° ano), Ensino Fundamental II (6° ao 9° ano) e o Ensino Médio, a fim de liberar espaço para a construção de novos equipamentos, ampliar séries de ensino para tempo integral e reduzir vagas ociosas, por exemplo.


O projeto prevê que até mil escolas estaduais possam sofrer alterações no ensino aplicado, passando, assim, a existir 2.197 escolas com ciclo único ao invés das 1.443 escolas existentes em 2015. Para que este plano seja bem sucedido, as escolas serão reestruturadas para receber esses alunos divididos por ciclos e faixa etária, sendo que 93 das escolas vigentes com mais de um ciclo viriam a ser fechadas e suas estruturas redirecionadas para outros fins.
Os alunos devem se recadastrar na rede estadual de ensino e o próprio sistema ficará responsável pela análise de dados e redistribuição para as escolas, utilizando como requisito a escola de menor distância da casa do estudante. A transferência de escola leva em consideração que a escola atual deva ficar no máximo há 1,5km da escola antiga. Os alunos e seus familiares não possuem a liberdade de escolha pela nova escola e a troca será feita de forma automática.
O que muito se questiona é se essa reestruturação será, de fato, positiva para os estudantes e suas famílias ou se a mudança acarretará problemas que não existiam quando os próprios optavam pela escola matriculada. Outros diretamente afetados são os professores e servidores das unidades a serem realocados, sujeitos a possíveis mudanças no quadro de pessoal, na carga horária (com salas lotadas) e, consequentemente, em seus salários.

O Governo e a Secretaria, firmes em suas posições, dizem-se dispostos ao diálogo, porém não se abrem às opiniões estudantis, sendo um grande símbolo de repressão e opressão.

Amanda Ripamonti

Author & Editor

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