terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Análise da Literatura Especializada

Tratando-se de um universo educacional, nossa primeira escolha para uma literatura especializada foi Paulo Freire. “Educação como Prática de Liberdade” é um ensaio escrito durante o período da Ditadura Militar no Brasil, incluindo o período de exílio do pedagogo. Com foco no prólogo “Educação e Política” escrito pelo cientista político Francisco Weffort observamos através da leitura dos autores, como a educação é importante para a formação do universo político, ainda que a primeira não possa protagonizar o universo da segunda. Paulo Freire acredita em “uma educação para a decisão, para a responsabilidade social e política”, uma vez que esta cria um cenário de reflexão e de compreensão do mundo, gerando uma consciência crítica. Os autores consideram que, em um cenário político, a precarização da educação é interessante para um jogo político pois possibilita a massificação do povo e, com isso, dificulta o desenvolvimento do raciocínio crítico da população.
“Do ponto de vista das elites, a questão se apresenta de modo claro: trata-se de acomodar as classes populares emergentes, domesticá-las em algum esquema de poder ao gosto das classes dominantes. Se já não é possível aquela mesma docilidade tradicional, se já não é possível contar com sua ausência, torna-se indispensável manipulá-las de modo a que sirvam aos interesses dominantes e não passem dos limites.” (WEFFORT, Francisco in Paulo Freire. Educação como Prática de Liberdade.)
Dando continuidade à leitura especializada, selecionamos um artigo do professor Paul Singer, professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA USP), intintulado “Poder, Política e Educação”.
Em seu texto, Singer divide o universo educacional e sua finalidade em dois pólos opostos. O primeiro, chamado de civil democrata, propõe encarar a edução como processo de formação do cidadão
“O grande propósito da educação seria proporcionar ao filho das classes trabalhadoras a consciência, portanto a motivação (além de instrumentos intelectuais), que lhe permita o engajamento em movimentos coletivos visando tornar a sociedade mais livre e igualitária. “ (SINGER, Paul. Revista Brasileira de Educação, 1995)
Nessa proposta não há distinção do cidadão e do profissional. Já o segundo polo nomeia-se produtivista. Esta, baseia-se na principal função da educação sendo a formação do indivíduo para o mercado de trabalho, inserindo-o na divisão social do trabalho. “Educar seria primordialmente isto: instruir e desenvolver faculdades que habilitem o educando a integrar o mercado de trabalho o mais vantajosamente possível.” (SINGER, Paul. 1995)
Ainda que escrito 20 anos anteriores aos acontecimentos culminados no segundo semestre de 2015, a descrição que Paul dá a crise da educação, não só no cenário nacional, mas ao redor do mundo, em muito se compara com a situação que vivemos atualmente.

“Para os diretamente envolvidos, principalmente educadores e educandos, a crise parece, provavelmente, ser causada pelo corte de verbas, baixa dos salários, perda conseqüente do pessoal melhor qualificado e declínio da qualidade do ensino. E não há dúvida de que esses fatos existem e tornam a crise tão profunda e destrutiva como ela está se revelando.” (SINGER, Paul. Revista Brasileira de Educação, 1995)

Amanda Ripamonti

Author & Editor

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