A notícia sobre a reestruturação da educação e reorganização das escolas não foi bem recebida por grande parte dos envolvidos no processo. Além dos pontos já questionados anteriormente ao longo deste trabalho, podemos, também, levantar questões como: até onde houve um diálogo por parte do Governo do Estado com os estudantes? De que forma os alunos e suas famílias foram previamente preparados para essa mudança de grande porte?
Pensando na atual situação dos estudantes que se veem transferidos automaticamente de escola indagamos, também, se o planejamento elaborado pela Secretaria da Educação inclui a situação de cada família e se foi levado em conta o interesse e rotina de cada uma delas.
Diante do atual cenário político e econômico no Brasil torna-se difícil não questionar, também, se esse plano para a educação visa completa e unicamente o progresso do sistema paulista de ensino ou se foi uma maneira de reduzir os gastos com a educação. Este ponto torna-se ainda mais amplo quando tempo professores e funcionários que, ao descobrir do projeto do governo através de mídias online e offline, temem pela redução de carga horária e, consequentemente, salários e empregos. Essa reação demonstra, mais uma vez, a falta de diálogo do governo, sem prover maiores explicações.
Ao iniciarmos o trabalho, a visão sobre o assunto levantava questionamentos e posições limitadas, mas, através das leituras especializadas no tema e do levantamento de atores e pontos relevantes, percebemos que há um desdobramento entre elas e que muitas delas permanecem em aberto e gerando muitos outros questionamentos. Uma forma de exemplificarmos foi que, após a leitura do livro de Paulo Freire, pudemos observar melhor a maneira como educadores e alunos se uniram nesta causa e como a educação transforma e desenvolve o senso crítico.
Levantou-se, também, o debate de como a manifestação dos estudantes contra o Governo Estadual pode transformar e ressignificar a atual situação do sistema de ensino. Será possível que após essa experiência os estudantes e professores abram os braços para a possibilidade da educação como meio de transformação e libertação e insiram o pensamento crítico em suas aulas e discussões? O artigo do professor Paul Singer já propunha esse questionamento 20 anos atrás, reforçando a ideia de que alguns questionamentos não se fecham, mas se reforçam com os mais diversos acontecimentos. “Que tipo de pessoa nossas escolas estão formando e para que tipo de sociedade? Se a democracia é uma conquista irreversível — e quero crer que é —, qual é o modelo de cidadão consciente que inspira nosso ensino?” (SINGER, Paul. 1995)
Com a conclusão do trabalho notamos que há grande dificuldade em fechar os questionamentos, uma vez que há uma vasta e diversa gama de posicionamentos e opiniões. Existe o grupo concordante com a reestruturação, aqueles que discordam que essa medida seja eficaz e eficiente na devida estrutura e aqueles que não possuem uma opinião formada sobre o assunto e, assim, evitando posicionamentos, mas que estão em constante observação sobre os actantes e seus pronunciamentos.
Ainda que a reestruturação das escolas tenha sido revogada pelo governador Geraldo Alckmin, acreditamos que, pela educação ser um segmento de contínua existência, o assunto pode tornar a vir a tona a qualquer momento, principalmente se levarmos em consideração a fala do Governador para o jornal “É Notícia” sobre a grande importância do projeto, dessa forma, a controvérsia analisada segue em questionamento e se desdobrando

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